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assembleia na associação de moradores

Uma pequena pausa na redação do texto da dissertação para contar um causo que me deixou bem animado ontem.

Assembleia

Nesta quarta-feira, 16 de janeiro, realizamos a primeira assembleia do ano na associação de moradores do conjunto habitacional vila esperança.

Foi muito bacana. Havia alguns moradores que estiveram na primeira diretoria da associação, ainda em 1982.

Foi uma assembleia destinada a alterar alguns pontos do estatuto, a fim de possibilitar que realizemos mais atividades em nossa sede.

Memória

Soube que no início a associação, que hoje é um prédio construído com blocos e telhas de amianto, era um espaço construído em madeira. Que havia um parquinho para as crianças brincarem. E, ainda, que havia uma carteirinha para os associados.

Naqueles anos a vila esperança era o único bairro construído na zona norte de pirassununga. Ficava entre chácaras, sítios e fazendas. O acesso ao centro da cidade era restrito. Assim, a associação cumpria papéis diversos: recreativo, religioso, organizacional (pelo menos).

Hoje

Qual papel pode cumprir a associação hoje? Hoje, quando a zona norte da cidade tem vários outros bairros (cerca de dez), quando as chácaras-sítios-fazendas já não compõem o entorno da vida, quando há uma linha de ônibus específica para o bairro (ainda que a passagem seja um roubo), quando carros e motos estão em muitas casas, quando o poder público já construiu e implementou diversos equipamentos de diversos setores?

Talvez um papel importante seja garantir que esses equipamentos funcionem. Talvez a realização de atividades culturais que estão ausentes da cidade (cineclube, por ex.). Talvez um espaço multimídia em funcionamento nos finais de semana. Talvez mais coisas.

Estamos combinando a realização de uma pesquisa com os moradores da vila para pensar nisso com os pés no chão. Trinta anos se passaram desde a fundação do bairro e todas essas coisas mudaram.

Depois de ter vivido experiências maravilhosas em outras cidades, dá uma alegria danada atuar dentro da associação de moradores do bairro onde minha família vive há cerca de 20 anos!

Que tenhamos mais alegrias e um caminho cheio de vitórias!

Publicação no jornal O Movimento (Pirassununga) no dia 09-01-2013
Publicação no jornal O Movimento (Pirassununga) no dia 09-01-2013

Lula (ainda)

Hoje um vídeo veiculado pela assessoria de imprensa do Lula mostrava-o, com sua companheira, agradecendo o apoio e a força que estava recebendo. Voz rouca, fraquinha, ele mesmo lamentando não poder dizer “companheiros e companheiras” com mais potência. Ao mesmo tempo era todo otimismo, certeza de que na vida vencemos apenas com luta. Luta Lula!

Continuo muito afetado pelas manifestações que seguem seu caminho pela internet. Nunca vi tanta gente que nunca moveu uma palha para mudar o mundo expressando opiniões políticas sobre o SUS ou sobre o modo como se governam os pobres nesse país. Médicos que, de repente, dizem que se importam com o modo como os pobres são tratados no SUS?

Essas pessoas TALVEZ ignorem que existem fóruns, movimentos populares, grupos de trabalho, e muitos outros espaços e movimentos que fizeram surgir um sistema público de saúde único no mundo, que atende a mais de cem milhões de pessoas. Elas não ignoram, mas nunca participaram e duvido que um dia irão participar!

O que essas pessoas também TALVEZ ignorem é que suas manifestações são a emergência em estado bruto de um ódio – que agora é canalizado na figura do Lula. Mas é um ódio contra os homens e mulheres comuns das periferias do Brasil. Que viajaram de pau-de-arara. Que construíram suas casas com suas próprias mãos. Que estudaram somente o necessário. Que, quando leem, leem as páginas dos evangelhos. Enfim, aquilo que caracteriza as pessoas que moram comigo em casa e quase todos os meus vizinhos que tem mais de 50 anos de idade!

Por último: TALVEZ essas pessoas também ignorem que nunca farão mais nada pelo SUS em suas vidas. Ou melhor: algumas continuarão defendendo a privatização; outras continuarão pagando planos de saúde para não correrem o risco de usar hospital lado a lado com os pobres; outras continuarão dizendo que LUGAR DE POBRE É NA FILA.

Lula

A notícia de que Lula está com câncer afeta todas as pessoas do Brasil e, certamente, muitas mais ao redor do mundo. Aqueles que interagem através das redes sociais, como Facebook e Twitter, estão produzindo diferentes ações e reações a partir delas.

Um grupo de pessoas está veiculando pelo Twitter uma propaganda/campanha que pede a Lula que faça seu tratamento através do SUS. As discussões que tem rolado pedem que Lula seja um exemplo, que ele mesmo mostre que o SUS beira à perfeição, como alguns alegam que teria dito enquanto foi presidente da República.

Estou com o grupo de pessoas que se indigna com essa postura! Alguns são, inclusive, capazes de fornecer argumentos que demonstram a eficiência do trabalho do SUS com relação ao tratamento do câncer. De minha parte, não posso ir além do sentimento de indignação e, por não, de um certo horror que me causa esse tipo de campanha.

Além de ter que lidar com a própria notícia de estar doente, Lula também tem que lidar com essa pressão que o transforma numa espécie de demagogo, hipócrita, e também que o transforma em único responsável pelo estado em que se encontra o SUS nos dias de hoje.

Integro a rede que tenta mandar forças para o Lula combater essa doença e, ao mesmo tempo, integro a rede de usuários do SUS que luta por fortalecê-lo cada vez mais. Penso não existir contradição entre essas coisas e também penso que cada um luta contra essa doença com todas as armas que tem.Abaixo, uma das fotos mais potentes que vi no dia de hoje, veiculada por um amigo por meio do facebook.

Furor pedagogicus

1. Furor pedagogicus. Não importa que a idéia seja nova ou mais velha, muitíssimo antiga… Não importa de onde venha, se da filosofia, sociologia, antropologia, psicologia… Não importa quem a expresse. O que importa é que difira do pensamento dogmático da pedagogia. Então, nem bem é dita e escutada, há sempre uma multidão alvoroçada indagando: – Mas, então, se isso não é como eu pensava que fosse… Como fazer? Como é que eu vou agir na sala de aula? Como é que eu vou ensinar? Como…? Como…? Como…? – Praga, vírus, vício, cacoete pedagógico. Pergunta que não pára de perguntar. Até quando existirão aqueles que a formulam? E pior: aqueles que a respondem sem a mínima cerimônia?

(Artistagens: filosofia da diferença e educação. Sandra Mara Corazza. Autência. 2006)

A citação vem porque:

– Se xs pedagogxs não passam o máximo de tempo possível lamentando sobre as faltas do cotidiano escolar, e optam por tentar pensar, são interditadxs pela “ditadura da experiência”

– As acusações são do tipo – quero ver você colocar isso prática!

Contudo, parece que a escola é um jogo montado para que xs professorxs fracassem todas as vezes em que tentarem fazer diferença. Mesmo tentando reformar a escola para caber nessa sociedade, não parece suficiente.

Mas é possível pensar em algo sem que a “polícia da prática” venha cobrar:

– um livro que se pareça mais com um manual de instruções ou um livro de receitas culinárias?

– palestras que operem menos como um disparador de singularizações e mais como uma jornada neurolingüística ou um momento com a psicologia comportamental?

Reticências e aspas.

RIP PHIL VANE


Bizarro.

Vamos envelhecendo e pessoas que conhecemos bem vão morrendo.

Não conhecia o Phil Vane. Não fui no show do Extreme Noise no Brasil. O que talvez possa dar um tom meio de “tributo a uma celebridade” a esta postagem. Ao mesmo tempo, imagino que alguns entendam que existe uma rede de contágio afetivo naquilo que originalmente conhecíamos por punk, hardcore, e outras filiações.

Com o Extreme Noise a relação era vital. Era ouvir todos os dias e ao longo de várias horas. Imaginar que você era o vocalista da banda e, ao final de uma fita cassete inteira (VAT-60 na maioria das vezes), terminar sem voz.

De repente uma pessoa da tua família acaba de ir para o pronto socorro de ambulância. Meia noite e meia. Você abre o laptop por causa da insônia e dá de cara com a inscrição: RIP PHIL VANE. Você não acredita, pesquisa em tudo que é canto, e a notícia vai se espalhando. Até que todos confirmam.

Caramba, não consigo para de me lamentar e, uma vez mais, tentar acertar minhas contas com o fim de tudo. Quando tudo termina.

Repetindo o mantra: RIP PHIL VANE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Diante do fim

Meu estranhamento diante da morte de uma pessoa tão querida foi brutal.

Olho para sua foto e uma imensa sensação de espanto toma conta de mim quando penso que não conversarei mais com ela, que ela não virá mais visitar nossa casa aos domingos, que passarei em frente de sua casa e ela não estará mais vivendo lá.

Minhas dúvidas com relação às transcendentes respostas oferecidas para a morte começaram a diminuir. Embora tenham sido, à seu modo, muito belos os ritos religiosos de despedida, em momento algum consegui parar de pensar que a invenção das respostas para o problema da morte são apenas ficções que não nos impedem de sofrer.

O que conta, sempre, é tudo que podemos viver aqui, entre nós mesmos. As promessas de vida após a morte, tantas e tão variadas quanto as religiões, não são NADA, mesmo para os crentes, diante da morte.

Por isso é que devemos aproveitar ao máximo cada minutinho com as pessoas que amamos. A materialidade da morte deixa apenas um vazio e uma saudade imensa se insinuando por todas as horas do dia e por todos os cantos da casa.

(((Tia – você se foi há apenas poucas dezenas de horas – mas já sentimos uma saudade imensa – de tudo que vivemos – de tudo que ainda iríamos viver.)))

Não estou morto. É apenas domingo.

As portas de casa ficam todas abertas. Exceto para os cães, que fedem. Mas os gatos e os vizinhos entram, sentam-se no sofá, tomam uma xícara de café (embora nunca tenham tomado uma) e conversam como se todos fossem uma mesma família. Isso tudo pela manhã.

À tarde as coisas deixam de acontecer. Alguns dormem, outros fumam, outros transam, outros dormem. E outros também dormem! Acordam apenas para o futebol, o faustão, o silvio santos. E todos ficamos sentados na frente da TV porque é domingo e não temos mais nada a fazer. Ou apenas podemos dizer que do desejo fizemos uma vaga lembrança.

Somos todos expectadores da tragédia, mas nem todos criamos a partir dela. E estou morto no domingo e mais morto ainda na segunda, quando tenho que voltar ao trabalho e a fazer movimentos que não tem sentido.

Não há vida suficientemente boa aos domingos. Ou, talvez, a vida suficientemente boa seja justamente esta que vivemos aos domingos, com cães segregados, vizinhos e gatos transitando pelo espaço, ruído branco cruzando todos os ambientes e todos os corpos, televisão trazendo sentido em sua missão colonizadora.

A vida que vivemos é sempre a vida que queremos. A vida que vivemos é sempre a vida que queremos?

Assinado: Ka Walo, pensador periférico

Reflexões sobre o Anti-Manifesto de Tomaz Tadeu da Silva e Sandra Corazza

Do Blog Reflexões Contemporâneas: “A leitura do texto provoca uma interrupção de proliferação de subjetividade. A transmissão do saber por meio da dialética dos significados, torna-se um diálogo sem comunicação. A totalidade dos desejos perde a verdade e razão.”

fugazi – 13 songs


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grande distância entre seu usuário e si mesmo

é preciso desligar, desplugar, desconectar do virtual

e ligar, plugar, conectar com a vida

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