Iniciou-se hoje a 36ª reunião da associação nacional de pós-graduação em educação – a Anped. Nem sei muito bem por que motivo não estou lá, já que estou na pós-graduação em educação há três anos. Mas não começo este texto mencionando a Anped para pensar sobre meu processo acadêmico. Começo por conta da bizarra coincidência entre o início da reunião e a brutal violência com que a polícia militar do rio de janeiro promoveu a desocupação da câmara dos vereadores na noite de ontem (28/09).

Brutalidade. Não há outra palavra para resumir o que os policiais fizeram com os professores e professoras que estavam acampados lá desde quinta-feira. Pelo que pude entender, eram 200 professores.

Sou pedagogo e não atuo na docência. É frequente que meus amigos e amigas professoras me escutem dizendo que não acredito na escola, porque ela é reprodutivista, heteronormativa, disciplinadora e uma fábrica de indivíduos que se assemelha à prisão e outras instituições do gênero. Sou quase daqueles que delira como a personagem do filme Europa 51: ao ver operários entrando em uma fábrica para o trabalho, ela parece ver prisioneiros – e eu quase que vejo prisioneiros onde estão os alunos…

Mas, para além do modo como venho construindo meu caminho na pedagogia, para além do que penso a respeito da escola, a maioria dos meus amigos e colegas são professores. Ganham pouco dinheiro, trabalham muito, estão quase sempre cansados, estressados, com problemas vocais, problemas de postura, além das inúmeras perturbações psíquicas que assombram estes profissionais há algumas décadas.

Além disso tudo, são direta ou indiretamente responsabilizados por jornalistas, políticos, especialistas de toda ordem que afirmam, com veemência, que a educação é a única saída para o Brasil. Educação significa desenvolvimento! Esquecem-se apenas do elemento que faz a conexão entre estas “brilhantes e originais ideias” e o mundo real: os professores e professoras!

Desde hoje cedo, quando vi as cenas de brutalidade (não foi um confronto, como vão manchetando por aí!) na tal “reintegração de posse da câmara”, ficou nítido para mim que onde jornalistas, políticos, especialistas escrevem “só a educação pode mudar o Brasil” deve-se ler “só a porrada pode mudar o Brasil”.

Solidarizo-me aqui com as camaradas professoras e os camaradas professores que sofreram estas ações!

(Professores e professoras que estão na Anped pensando a educação durante estes dias, vamos nos solidarizar também!)

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