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Fevereiro 2013

Pussy Riot: onze meses sob a mão de ferro do fascismo

Tem alguns dias que estava me perguntando desde quando mudei as fotos do meu facebook para as imagens da banda Pussy Riot. Verifiquei agora: 17 e 18 de agosto de 2012!

Conjugar arte e política. Tornar novamente as ideias perigosas. Tornar o punk algo subversivo no mundo contemporâneo, para além dos discos e dos shows. Foram algumas das coisas que elas fizeram. E há seis meses estão pagando caro, muito caro por isso tudo que fizeram por todos e todas nós que acreditamos e também lutamos para criar outros mundos possíveis.

As notícias chegam de várias partes do mundo e quase sempre em outro idioma, o que dificulta para mim e para a maioria de nós saber como andam as coisas. E ontem assinei uma petição pedindo que as duas garotas que estão presas nos campos de trabalho forçado sejam transferidas de lá, a partir de onde pude ver que as coisas estão caminhando para o pior! O site da petição tem link para uma notícia que demonstra que uma das garotas foi hospitalizada em primeiro de fevereiro devido a doenças relacionadas aos trabalhos forçados que tem sido obrigada a realizar desde que foi para a prisão.

Uma das integrantes da banda punk russa Pussy Riot foi hospitalizada por doenças relacionadas ao trabalho prisional, relata a Associated Press. Nadezhda Tolokonnikova já teria sofrido fortes dores de cabeça desde o ano passado, quando, aos 23 anos de idade, começou a cumprir sua pena de dois anos por acusações de vandalismo.

Super angústia! Não sei bem o que fazer! Penso mesmo em manter as imagens das garotas no facebook, para que não me esqueça delas nenhum dia, para fortalecer a rede que prossegue se mobilizando em torno da questão, para potencializar sua ação.

Enfim, segue esta postagem como meio de demonstrar que as coisas não acabaram mas que a luta também prossegue. Podem assinar a petição clicando aqui: ao assinar, você subscreve um documento que pede a transferência imediata de duas garotas da banda (Maria e Nadezhda, que estão presas e submetidas ao trabalho forçado nos campos prisionais) para Moscou, onde as condições prisionais devem ser menos malditas e onde elas também podem ficar perto de seus filhos.

Façamos nossas orações punks mundo afora!

Fora Putin!

Liberdade para Pussy Riot!

Abaixo o fascismo!

No pasarán!

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Falou e disse! Sobre a Escuta Cultural em Pirassununga.

E realmente aconteceu a Escuta Cultural: no dia 31 de janeiro de 2013, às 19:30, no Teatro Municipal Cacilda Becker. Aconteceu e foi um ótimo evento!

De fato, a dinâmica do encontro foi diferente do que esperávamos: ao invés de agrupar as pessoas presentes em pequenos grupos, de acordo com segmentos culturais, o secretário de cultura (Kleber Gabriel) abriu o evento com breves palavras e colocou um microfone à disposição de todas as pessoas presentes para que falassem livremente.

E o que se ouviu foi uma prosa da melhor qualidade! Fanfarra, música, fotografia, literatura, teatro, política cultural, dança, humor, grupos e associações da sociedade civil organizada: durante cerca de três horas foi possível “botar a boca no trombone” e coletivizar as péssimas condições com que se tratou a cultura, bem como os artistas, os produtores culturais e demais agentes, ao longo dos últimos anos em Pirassununga.

Vale destacar: havia cerca de 130 assinaturas no livro de presenças do evento. Considerando-se que foi um primeiro encontro; considerando-se que a divulgação foi quase toda via redes sociais (facebook?); considerando-se os anos de repressão e perseguição ao setor; enfim, considerando-se a dificuldade de organizar qualquer ação política por estas bandas… o número impressionou e animou muito!

Sobre o que as pessoas falaram?

Não houve síntese ao final do encontro. Mas arriscaria elencar neste breve texto os principais temas que permearam as falas daquela noite:

  • Formação cultural: compreendendo a formação de público, a capacitação de produtores e agentes culturais em geral. Foram citados exemplos de ótimos espetáculos que vem à cidade, mas que não recebem público. Também foram citados inúmeras ideias para elaboração e realização de projetos culturais, que precisam de apoio para elaboração e mobilização de recursos;
  • Cultura digital: quase todas as falas tomaram como referência debates anteriormente realizados nas chamadas redes sociais, principalmente o Facebook. Considerando esta realidade, a Secretaria pode investir pesado nesse meio tanto no que diz respeito à comunicação, quanto no que diz respeito à própria formação;
  • Oficinas ou escolas de artes: para além dos espaços existentes em Pirassununga, a ideia de transformar diferentes espaços em escolas ou oficinas de artes espalhados atravessou diversas falas. Praças, quadras poliesportivas e centros comunitários/associações de moradores podem (e devem!) ser espaços ocupados por ações culturais;
  • Intersetorialidade: também foi possível perceber que o pessoal está bem situado em relação à maneira de gerir a política cultural da cidade. Várias falas pontuaram que a secretaria de cultura não pode agir sozinha, mas que deve atuar em conjunto com as demais pastas, principalmente a saúde, a educação e a assistência social;
  • Formação de Comissões: além da intersetorialidade, levantou-se a possibilidade de criar comissões permanentes para discutir e pensar a respeito das diversas áreas de interesse cultural (das artes ao patrimônio material e imaterial);
  • Produção local: este certamente foi o tema que este subsequente a todas as outras falas. Incentivar a produção artístico-cultural local. Fomentar esta produção. Abrir os espaços públicos para a comunidade em geral. Descentralizar a cultura para os bairros periféricos. Apoiar manifestações da sociedade civil organizada. E, sem exagero, inúmeras outras linhas que, possivelmente, foram documentadas por outros participantes;
  • Conselho de Política Cultural: todos pensávamos que este seria um encontro com vias a definir as etapas para a criação do Conselho. Mesmo não tendo sido este o objetivo, a criação do Conselho foi outro ponto abordado por muitos dos que usaram o microfone. Ao que tudo indica o processo será mais lento do que o desejado por todos nós. Mas não pode ser esquecido!

De posse destes dados, certamente é possível que a Secretaria comece a traçar os primeiros traços de um Plano de Ação, que precisa ser encarado como emergencial, a considerar que o mês de fevereiro já está pela metade. Além disso, toda esta temática está contemplada na Lei Complementar nº 69, de 5 de outubro de 2006: o Plano Diretor do Município de Pirassununga

Acompanhei toda a reunião com uma cópia da Seção V do documento em mãos, exatamente a seção voltada para a política cultural municipal. Composta por três artigos, esta seção expõe quais são os objetivos, as diretrizes e as ações estratégicas para aquilo que o documento chama “campo da cultura” no município de Pirassununga. Eu, totalmente ignorante com relação à legislação em vigor no município, não poderia sequer imaginar que todos os temas expostos ao longo da Escuta Cultural estariam amplamente contemplados pelo Plano Diretor, que fala inclusive em apoiar produções marginais, cultura popular e cultura caipira, na criação de Conselho de Cultura, Lei de Fomento e Sistema Municipal de Cultura.

O documento, realmente, é ótimo. Mas é letra morta. Objetivos, diretrizes e estratégias que até o momento, salvo engano, não saíram de lá, do papel. Se ao menos cinco das 23 estratégias constantes no documento tivessem sindo implementadas, é possível que não estivéssemos vivendo uma política cultural que parece com aquelas realizadas vinte anos atrás.

Ação política cultural

A Escuta Cultura foi um passo importante porque, como bem disse o secretário de cultura, demonstra uma mudança de postura em relação ao governo anterior. 

A riqueza do processo consistiu justamente no caráter informal, na horizontalidade com que se fez o uso da palavra, na pluralidade de grupos e pessoas que estavam presentes e no caráter aberto e constitutivo da proposta. Ao mesmo tempo, é preciso que possamos avançar no sentido de transformar as demandas de cada setor em política pública.

Assim, é totalmente pertinente que as pessoas da assim chamada ‘sociedade civil organizada’ continuem encontrando-se. E preciso amadurecer as demandas, compreender que os jogos do poder são sempre estratégicos e que as nossas estratégicas precisam ter força, clareza e coesão. Pois, agora que a Secretaria de Cultura ouviu, cabe pensar num segundo encontro onde ela também se pronuncie sobre as questões apresentadas e um novo passo nesse belíssimo processo seja dado.

É bom que estejamos todos preparados para falar e ouvir cada vez mais!

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