1. Furor pedagogicus. Não importa que a idéia seja nova ou mais velha, muitíssimo antiga… Não importa de onde venha, se da filosofia, sociologia, antropologia, psicologia… Não importa quem a expresse. O que importa é que difira do pensamento dogmático da pedagogia. Então, nem bem é dita e escutada, há sempre uma multidão alvoroçada indagando: – Mas, então, se isso não é como eu pensava que fosse… Como fazer? Como é que eu vou agir na sala de aula? Como é que eu vou ensinar? Como…? Como…? Como…? – Praga, vírus, vício, cacoete pedagógico. Pergunta que não pára de perguntar. Até quando existirão aqueles que a formulam? E pior: aqueles que a respondem sem a mínima cerimônia?

(Artistagens: filosofia da diferença e educação. Sandra Mara Corazza. Autência. 2006)

A citação vem porque:

– Se xs pedagogxs não passam o máximo de tempo possível lamentando sobre as faltas do cotidiano escolar, e optam por tentar pensar, são interditadxs pela “ditadura da experiência”

– As acusações são do tipo – quero ver você colocar isso prática!

Contudo, parece que a escola é um jogo montado para que xs professorxs fracassem todas as vezes em que tentarem fazer diferença. Mesmo tentando reformar a escola para caber nessa sociedade, não parece suficiente.

Mas é possível pensar em algo sem que a “polícia da prática” venha cobrar:

– um livro que se pareça mais com um manual de instruções ou um livro de receitas culinárias?

– palestras que operem menos como um disparador de singularizações e mais como uma jornada neurolingüística ou um momento com a psicologia comportamental?

Reticências e aspas.