Meu estranhamento diante da morte de uma pessoa tão querida foi brutal.

Olho para sua foto e uma imensa sensação de espanto toma conta de mim quando penso que não conversarei mais com ela, que ela não virá mais visitar nossa casa aos domingos, que passarei em frente de sua casa e ela não estará mais vivendo lá.

Minhas dúvidas com relação às transcendentes respostas oferecidas para a morte começaram a diminuir. Embora tenham sido, à seu modo, muito belos os ritos religiosos de despedida, em momento algum consegui parar de pensar que a invenção das respostas para o problema da morte são apenas ficções que não nos impedem de sofrer.

O que conta, sempre, é tudo que podemos viver aqui, entre nós mesmos. As promessas de vida após a morte, tantas e tão variadas quanto as religiões, não são NADA, mesmo para os crentes, diante da morte.

Por isso é que devemos aproveitar ao máximo cada minutinho com as pessoas que amamos. A materialidade da morte deixa apenas um vazio e uma saudade imensa se insinuando por todas as horas do dia e por todos os cantos da casa.

(((Tia – você se foi há apenas poucas dezenas de horas – mas já sentimos uma saudade imensa – de tudo que vivemos – de tudo que ainda iríamos viver.)))

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