Foi no final dos anos 1990, início dos 2000, que conhecemos aquelas bandas todas: Chamberlain, Mineral, Lifetime, Falling Forward, Sunny Day, Get Up Kids, Promise Ring, Boy Sets Fire, Grade.

Eram bem esquisitas, especialmente para aqueles de nós que só conhecíamos o death, o grind, o noise e o hc. Mas, enfim, bateu forte em alguns de nós. Logo uma rede de garotos e garotas (estávamos todos na casa dos dezoito anos!, pra cima ou pra baixo) se envolveu muito com a coisa toda.

Aqui no Brasil, dizem os que viveram no exterior, a coisa foi diferente. Enquanto lá fora emo estava relacionado a todo um estilo que envolvia roupas e acessórios, aqui estava mais vinculado a podermos falar e escrever sobre sentimentos pouco ou nada ligados à tradição com que estávamos envolvidos.

Se não fossemos todos, ao menos todos estávamos mais ou menos envolvidos com a cena straight edge. Era muito louco. Camisetas e fanzines começaram a rolar (a internet era uma coisa muito pequena). E as fitas k-7 estavam em envelopes de sedex ou gambiarras afins.

E não me lembro de bandas que tenham surgido logo de cara. Talvez o Dominatrix, algumas músicas do Personal Choice, o Saddest Day, a banda do markinho/katito e o Moan. Não lembro direito. Depois veio o Dance of Days, que não era a mesma coisa, mas tava alinhado.

O interessante é que com os amigos e amigas mais chegados, toda essa coisa que vinha junto com as bandas emo foi ponto de partida para uma série de críticas que tínhamos à maneira como nossos amigos e colegas vinham conduzindo a cena hcXse, no Brasil, mas especialmente em São Paulo. Eram tempos de grandes disputas: a dança violenta, o machismo na cena, a questão vegana, o abandono da política.

Mais tarde, talvez bem mais tarde, tivemos por aqui o Catharsis, trazendo pra boa parte de nós uma espécie de síntese do que queríamos dizer com toda a movimentação em torno dessas bandas. Um questionamento radical sobre nossas vidas, não apenas no que dizia respeito ao popular “sistema”, mas nas interfaces entre políticas macro e micro.

Era uma movimentação muito interessante, quando o romance tomava conta de todos os aspectos de nossas vidas. No final das contas, as tristezas que curtíamos entre nossos sons e nossos zines eram uma pequena parte da grande alegria de estarmos juntos nos shows, nas cartas, nos ircs e icqs da vida.

E vejam só que estamos todos espalhados pelo mundo e (quase) nenhum de nós pode ser considerado emo nos dias de hoje.

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