Sábado conversava com um amigo a respeito dos escritos de Freud. Sobre como ele dizia ao final deles (não sei se de todos) que poderia estar errado. Passamos a falar sobre o inconsciente e sobre como essa noção mudou os rumos de muitas teorias por aí.

Começamos a falar a respeito de uma forma de educação popular, talvez a “dominante”. Ela parte do universo concreto dos educandos para realizar a construção coletiva do saber. Deste modo, busca democratizar o ato educativo e tirar os véus da ideologia dos educandos, levando-os a lutar contra a opressão e a exploração. Falamos também a respeito de quanto a conscientização é um dos conceitos-chave desta educação popular.

Algumas coisas interessantes saíram da conversa.

1) partir do universo do educando significa reconhecer sistemas de signos muito concretos para um dado grupo.

2) essa construção coletiva não é radical: utilizam-se esses sistemas de signos para chegar ao mesmo saber que tem o educador popular. A verdade está com o educador popular.

3) com isso temos a possibilidade de massificar. É o fermento que engorda a massa.

Digamos que essas foram as constatações. Depois vieram as, digamos, hipóteses.

4) com a coisa do inconsciente, que os mestres da suspeita identificaram lá no moderno, sabemos que a consciência pode muito pouco. Muito pouco mesmo.

5) então, não se trata de conscientizar, mas de disparar processos de singularização.

6) não que em dados momentos não seja necessário massificar! Isso vai variar com a necessidade de afirmar a vida frente aos poderes da morte.

Então ficamos em dúvida: o que seriam os “processos de singularização”.

Hoje, dando prosseguimento à leitura de Kairós, Alma Venus, Multitudo, de Toni Negri, entrei em contato com as seguintes palavras:

Como (no pós-moderno) o conceito de “resistência” mudou, como se transformaram suas práticas! Se tentássemos identificá-lo de acordo com as categorias e experiências do moderno, seríamos, agora, incapazes de compreendê-lo. No moderno, a resistência é um acúmulo de forças contra a exploração, que se subjetiviza mediante a “tomada de consciência”. No pós-moderno, não é nada disso. A resistência se dá como difusão de comportamentos resistentes singulares. Acumulando-se, acumula-se extensivamente, na mobilidade, na fuga, no êxodo, na deserção – multidões que, difusamente, resistem, que fogem das grades, cada vez mais estreitas, da miséria e do comando. E não é necessária a tomada de consciência coletiva: o sentido da rebelião é endêmico, atravessa cada consciência, tornando-a feroz.

Parece que diz respeito a algo semelhante ao que pensávamos.

Resistir na sociedade mundial de controle é o mesmo que resistir na sociedade discipliar? E o que dizer da educação para a liberdade?

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