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Mês

Outubro 2008

"militar é agir"

O resultado deste trabalho é a produção em série de um indivíduo que será o mais despreparado possível para enfrentar as provas importantes de sua vida. É completamente desarmado que ele enfrentará a realidade, sozinho, sem recursos, emperrado por toda esta moral e este ideal babaca que lhe foi colado e do qual ele é incapaz de se desfazer. Ele foi, de certo modo, fragilizado, vulnerabilizado, ele está prontinho para se agarrar a todas as merdas institucionais organizadas para o acolher: a escola, a hierarquia, o exército, o aprendizado da fidelidade, da submissão, da modéstia, o gosto pelo trabalho, pela família, pela pátria, pelo sindicato, sem falar no resto… Agora, toda a sua vida ficará envenenada em maior ou menor grau pela incerteza de sua condição em relação aos processos de produção, de distribuição e de consumo, pela preocupação com seu lugar na sociedade, e o de seus próximos. Tudo passa a ser motivo de grilo: um novo nascimento, ou então “a criança não vai muito bem na escola”, ou ainda “os mais grandinhos se enchem e aprontam mil loucuras”; as doenças, os casamentos, a casa, as férias, tudo é motivo de aborrecimento…

(somos todos grupelhos. guattari.)

Devir-Hardenberg

Não tenham medo de olhar para os pés e não mais vê-los imundos, apenas marcados pelas correias de suas havainas. Não tenham medo de olhar para os espelhos e não verem barba e/ou cabelos compridos.

Tenham medo apenas do devir-Hardenberg. Começando pelo casamento. Pela necessidade de um carro com ar-condicionado. Pelos planos de saúde e seguros de vida. E, por fim, sem perceber, estar votando nos partidos de direita.

E tenho dito!

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