quando tinha 18, 19 anos, passava boa parte de minhas noites deitado numa rede, no pequeno quintal da casa materna, e olhava estrelas. cara, não sei dizer quantas foram as noites que passei naquela rede e não sei dizer qual a mágica daqueles céus, daquelas muitas luzes indecifráveis que nem sempre ficavam no mesmo lugar…

na última quinta-feira, às quatro da matina, à mercê de tristes paixões, parei na janela de meu quarto, aqui na casa materna, e fiquei a observar as estrelas. lembrei desses momentos, há 9, 10 dez anos, quando não encontrava conexões com outros meninos ou meninas de minha idade, e preferia olhar pro céu.

nem sempre era um ato melancólico. muitas vezes, era apenas uma terapêutica para tempos desprovidos de poesia. mas, nesta quinta-feira, foi um ato melancólico. não conseguia entender porque, depois de estar integralmente ao lado dela, de não duvidar em momento algum de que “era pra ser”, ela se torturava com dúvidas e dizia que não.

ontem, iluminado pelos ensinamentos que só o álcool pode proporcionar, não consegui olhar para as estrelas. consegui apenas me entregar e pensar que só o melhor acontece, ainda que nossas carnes não se alegrem imediatamente com o que é melhor.

e ficam as palavras da artista sobre o que um bom encontro significa: “não me ensina a morrer que eu não quero”.

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