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Mês

Dezembro 2007

Marisa Monte

quando tinha 18, 19 anos, passava boa parte de minhas noites deitado numa rede, no pequeno quintal da casa materna, e olhava estrelas. cara, não sei dizer quantas foram as noites que passei naquela rede e não sei dizer qual a mágica daqueles céus, daquelas muitas luzes indecifráveis que nem sempre ficavam no mesmo lugar…

na última quinta-feira, às quatro da matina, à mercê de tristes paixões, parei na janela de meu quarto, aqui na casa materna, e fiquei a observar as estrelas. lembrei desses momentos, há 9, 10 dez anos, quando não encontrava conexões com outros meninos ou meninas de minha idade, e preferia olhar pro céu.

nem sempre era um ato melancólico. muitas vezes, era apenas uma terapêutica para tempos desprovidos de poesia. mas, nesta quinta-feira, foi um ato melancólico. não conseguia entender porque, depois de estar integralmente ao lado dela, de não duvidar em momento algum de que “era pra ser”, ela se torturava com dúvidas e dizia que não.

ontem, iluminado pelos ensinamentos que só o álcool pode proporcionar, não consegui olhar para as estrelas. consegui apenas me entregar e pensar que só o melhor acontece, ainda que nossas carnes não se alegrem imediatamente com o que é melhor.

e ficam as palavras da artista sobre o que um bom encontro significa: “não me ensina a morrer que eu não quero”.

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Vida e Morte de Silvêra

Romance que narra um dia na vida de Silvêra, rapaz sem qualidades de quase trinta anos que esperava viver um dia que fizesse sua vida inteirava valer a pena e, tão logo o encontrasse, “daria um jeito de morrer”.

Escrito de forma crua e direta, em primeira pessoa, conta como o rapaz, no meio de uma viagem, encontra uma velha amiga, ao lado de quem vive o dia esperado, sendo afetado de todos os afectos possíveis e imagináveis.

Findo este dia, decide mudar o rumo de sua viagem e partir para uma praia desconhecida, onde poderia viver das memórias do dia vidido e, quando as mesmas estivessem próximas de chegar ao fim, daria cabo da própria vida, fugindo definitivamente do vazio que sucede ao cheio.

Covarde, Silvêra não consegue cometer suicídio, por julgar que o dia em questão talvez não houvesse acontecido. Segue sua vida de homem sem qualidades, julgando que um dia a mesma irá valer a pena.

Ho Ho Ho – Feliz Natal !!!

É isso mesmo. Ontém fui Papai Noel para cerca de dez, doze crianças. Estava nervoso. Pouco antes de seguir para meu destino e meu público, me toquei que aquelas crianças poderiam acreditar que eu era de verdade, e não apenas um gorducho fantasiado. E se por ventura elas viessem a descobrir que eu não era algo além de um gordunho fantasiado… pensava eu que arruinaria a vida delas para todo o sempre!

Cheguei atrasado e os adultos da festinha já estavam de saco cheio. De qualquer forma, fui vestir a roupa, que tinha direito a cabelo, bota e sininho! Mas… sempre tem um maldito mas!… era uma roupa pequena demais para minha pança e… rasgou! Além do saco vermelho do Papai Noel, levei à mostra meu próprio saco! Graças à Deus eu estava usando cueca!

Enquanto esperava pela minha deixa para entrar, numa rua lateral, uma garotinha descobriu meu esconderijo. Deus me parta com um raio se eu estiver mentindo, mas a garotinha simplesmente se transformou numa estátua! Ficou olhando, olhando, olhando e, quando acenei com a mão e fiz aquele famoso “ho ho ho”, ela acenou de volta e continuou estática.

Pedi a ela que viesse até mim e ela veio. Devia ter 4 anos de idade. Dei um beijinho nela e ela me disse as seguintes emocionantes palavras: “Papai Noel, você tá lindo!!!” Naquele momento, eu não sei quem estava mais fascinado: ela por minha roupa, ou então eu, por suas palavras, por seu olhar, por tudo aquilo.

Então a garotinha foi embora e voltou durante a festa, quando eu apareci e as crianças ficaram em fila. Ela retornou e foi a última da fila. Quando chegou a vez dela, ela tava tão fascinada que mal conseguia falar. Conversei novamente com ela e perguntei novamente o que ela iria querer. Pra minha surpresa, ela não pediu o relógio: “Papai Noel, sua touca tá linda! Eu quero uma touca dessas de presente de natal”.

Depois, meus companheiros de trabalho, que vivem naquela comunidade, me ajudaram a jogar todos os doces do saco pra cima e foi aquela zona. Eu não podia me mexer, pois já estava com o saco de fora e o lado direito da camisa também rasgado, mostrando minha enorme pança.

Depois disso, as crianças começaram a me trazer muita comida, e a garotinha continuou ao meu lado, conversando comigo. Queria saber como era a minha casa, queria saber a que horas eu iria aparecer na casa dela na noite do dia 24, ficou tocando o sininho e tudo isso.

É complicado, porque, enquanto eu tento escrever esse relato e lembro da pequenina, sempre acabo caindo em lágrimas. É muita magia pra eu mesmo aguentar! E, filosofando, eu já não sei quanto tempo faz que não acredito mais em alguma coisa da mesma maneira como ela acreditou naquele Papai Noel que estava bem ali na frente dela.

Eu estou muito tentado a repetir a experiência no próximo ano. Somente para essas crianças pequenininhas. Porque é muito, muito forte ver aqueles olhinhos brilhando. Ao mesmo tempo, sinto que deveria fazer isso de uma maneira programada, com as criancinhas tendo feito seus pedidos de antemão, escrevendo a cartinha, para que eu pudesse batalhar ao longo do ano a compra de seus presentes.

Essa minha mente afetada pelo marxismo é foda. Me impede de viver as coisas com a mesma pureza daquela garotinha…

De qualquer forma, só queria dizer que não vou esquecer mais aquele rostinho e tô indo agora mesmo comprar uma touquinha de papai noel e um relógio pra entregar a ela na noite do natal.

Ho Ho Ho – Feliz Natal!!!

Famous suicides

Arthur Adamov
French poet

Markus Junius Brutus
Roman politician

Cleopatra
Egyptian queen

Kurt Cobain
American rock star

Hart Crane
American poet

Ernest Hemingway
American writer

Margeaux Hemingway
American actress

Michael Hutchence
Australian rock star

Ernst Ludwig Kirchner
German painter

Wilhelm Lehmbruck
German sculptor

Marcus Annaeus Lucanus
Roman poet

Titus Lucretius
Roman poet

Mithridates
Oriental tyrant

Lucius Domitius Nero
Roman emperor

Sylvia Plath
American poet

Lucius Annaeus Seneca
Roman philosopher

Socrates
Greek philosopher

Vincent van Gogh
Belgian painter

Heinrich von Kleist
German writer

Stanislav Ignaci Witkiewicz
Polish writer

Virginia Woolf
British writer

melhorador da humanidade

uma irritação. um incômodo. um desejo de fazer algo mais.

porque pouco tem me adiantado conhecer a dinâmica dos processos sociais quando pessoas vêm dia após dia procurar pelos classificados e, também dia após dia, receber uma outra negativa.

como diz Pedro Demo, em seu Charme da Exclusão Social:

“Há duas décadas, publiquei um trabalho com o título A pobreza também tem charme, buscando indicar que a pesquisa e a teoria em torno da pobreza iam bem, enquanto o pobre continuava na mesma”.

então, você vê a minha situação: dia após dia ouvindo a grande maioria apresentar o quanto estão fodidos – e isso não necessariamente de modo verbal, basta olhar, cheirar.

das duas uma:

– ou eu vou conseguir um meio de vida que me permita criar um sistema de pensamento maneiro sem ficar me perguntando pra que ele serve;

– ou eu vou ter que arranjar um jeito de redistribuir a riqueza, mesmo que na marra.

um grande abraço,

silvio

Enganações Contemporâneas

2004.

Um grupo de desajustados, lutando para não morrer de fome, mas também para não morrer de tédio, sente os ossos ruindo e a carne sendo cortada pela anestesia típica da vida acadêmica, de típicos campus universitários, de também típicas universidades públicas brasileiras.

Do grande grupo, um reduzido núcleo insiste em se tornar chato pra caralho e tentar inventar novas maneiras de tratar velhos problemas. Passam a ler e estudar gente que compreende o contexto sócio-político a partir de lentes totalmente dispensáveis pelos estudantes descontentes profissionais.

Insistindo em ser chatos pra caralho, o grupo reduzido consegue fecundar diversos úteros e dar origem a um bom número de aliados e inimigos no lugar onde atuava. Mas tornaram-se tão chatos que, ao final de 2006, passaram a viver como os demais ratos desajustados: não pensavam mais nada, apenas metiam, enchiam o caneco, reviviam uma farsa do desbunde.

2007.

Espalhados pelo mundo, continuam insistindo em ser chatos pra caralho, não dando descanso a seus corpos maltratados pelos pensamentos viscerais. Não conseguem apenas estar aqui ou acolá, pois a luta contra a fome e o tédio é paradigma entranhado.

Nada novo: seguimos dizendo bobagens, sem a menor certeza de que tenhamos entendido qualquer coisa que seja. De qualquer forma, afirmamos que temos nos profissionalizado em dizer bobagens. Sendo que algumas delas derrubaram as muralhas da ciência vitoriana e entraram pelo rabo da ciência traveca.

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