“Então, quem é o leão? O leão encarna um tipo de crítica infinitamente mais destrutiva, mais desapiedada, mais dissolvente, mais cética e mais trágica que a do cristicismo. Sua face negativa é muito mais radical, mais negativa, porque o tipo de afirmação que prepara é, também, mais radical, mais afirmativa. O leão não muda os valores, mas sim os despedaça; e não muda tampouco o lugar do qual derivam os valores, mas suprime todo lugar. Por isso, seu território é esse lugar que é um não lugar: o deserto. E não somente nega o amo, senão que, para negá-lo completamente, se nega também a si mesmo. Por isso, Hopenhayn centra seu comentário, não tanto na luta do leão contra qualquer figura externa da submissão, mas, sim, na dimensão autodestrutiva dessa luta: ‘A criança pressupõe um último gesto autodissolutivo no leão. Para que a criança nasça, o leão deve perecer, e para isso deve estar disposto a perecer'”.

Nietzsche & a Educação. Jorge Larrosa. A libertação da liberdade: para além do sujeito.

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