Abaixo, uma contribuição involuntária de Paulo C., retirada do blog cosmo.urbe

retrato do artista quando movimento

eu sou um sujeito típico
da novíssima cultura interiorana
em meio ao espreme-gato
e a pasmaceira no fim-de-semana

vivendo em alguma província maldita
e se de um lado ela nos sufoca
por outro nos dota
de uma fome cosmopolita

somos fudidos “in-the-know”
somos freaks, carne-de-pescoço
somos suburbanos, roceiros
somos uns sem-dinheiro
somos o núcleo duro, o osso

não temos regras de conduta ou aceitação
é tudo muito natural
é tácito, quase implícito
nos pague um cigarro, café, um prato-feito
pronto: morreu-se a questão

longe de sermos simplórios
somos temporários
estamos, enquanto remamos
subindo o rio de nossa condição

nossa linguagem pulula, palpita
somos lenhados em expansão
outros ainda comerão
do que esta geração regurgita.

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