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Mês

Setembro 2007

Mano Brown e uma política não-burguesa

Mano Brown esteve no Roda Viva de segunda-feira.

Apresentado como líder dos Racionais MC’s (que também estavam presentes nos bastidores do programa), Mano Brown iniciou o programa com o boné enfiado até o nariz e respondendo de maneira monossilábica às perguntas dirigidas a ele pelos grandes nomes que compunham a platéia (dentre eles, Maria Rita Kehl, imensamente conhecedora das letras do grupo e partidária do Mano).

Assim foi o primeiro bloco. Tenso. As perguntas dirigidas a ele eram formuladas a uma grande mente intelectual e culta, uma grande mente conhecedora dos problemas sociais que existem pelo mundo contemporâneo. Uma mente intelectual, culta e revolucionária. Mas, logo de cara, Mano Brown esclarece que não se trata disso: eu sou um cara que lê pouco, que conhece pouco.

Hoje Brown não mora mais na favela. Tem grana pra comprar uma casa para a própria mãe e andar de Nike no pé. Continua preto e continua ouvindo Jorge Ben, Cassiano e Tim Maia. Continua declarando que leu a biografia do Malcom X e que se viu naquele escrito. Diferente de três anos atrás, Brown agora declara-se evangélico. E acha errado que os evangélicos persigam o pessoal da macumba. E, como sempre, nada fala sobre o casamento: se está durando tanto, é justamente porque não fala sobre ele em público.

O que mais impressiona no pensamento de Brown, que deslanchou a partir do segundo bloco do programa, é o imenso alcance de sua visão comunitária. Um alcance que nenhum de nós, pensadores burgueses, leitores de pensadores burgueses europeus, conseguiria projetar – por mais revolucionárias que fossem as lentes que utilizássemos.

Quando interrogado sobre a violência nas favelas, Brown deixa claro que a favela é o lugar menos violento para se viver nos dias de hoje, desde que a comunidade esteja organizada. Polícia ou bandido só dominam a favela uma vez que a comunidade esteja desorganizada.

Aliás, a desorganização dos pobres é algo que o preocupa. Para Brown, os ricos são muito mais organizados que os pobres. Eis o motivo dos caras estarem desde sempre por cima da carne seca. Um exemplo disso é o que aconteceu com a derrota de Marta na eleição. Os pobres deixaram de votar nela por questões como “ela era separada do marido”, esquecendo que ela foi autora dos CEUS.

Quando interrogado sobre os traficantes, Brown fica calado. Aos poucos se solta. Diz que é difícil falar sobre o tráfico, porque falar sobre os traficantes é falar sobre o irmão, o vizinho, o tio, o amigo. Então, Brown prefere não falar sobre traficantes, mas sim sobre comerciantes de cocaína e maconha. Pois quem é que faz a segurança da favela? Quem trás a comida e os remédios para a favela? Quem deixa a polícia longe da favela?

Quanto à pirataria, Brown não é contra. Entretanto, não autografa CD pirata. Vários de seus amigos e seus trutas são piratas e vivem disso. Para este Mano, os piratas são sua rádio. Colocam a música dos Racionais tocando em todo o canto. Deixam os manos de todos os tipos terem acesso a ela. É uma atividade comercial como qualquer outra. O problema, para ele, é com os chineses.

Sobre as ONGs, ele diz que dá pra ver o resultado do trabalho desse tipo de coisa. Menciona A Casa do Zezinho (é, um arrepio nos manos que visitaram, né?), a Tia Dag e diz que não precisa estar lá todos os dias pra conferir se o trabalho é bom. Ele sabe que é.

E teve muito mais. http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/09/25/297875244.asp

Em breve, vou comprar o DVD deste programa. Precioso contra o veneno burguês do pensamento revolucionário da esquerda ocidental.

“Nas ruas da sul eles me chamam Brown/ Maldito, vagabundo, mente criminal/ O que toma uma taça de champagne também curte desbaratinado, tubaína, tutti-frutti. Fanático, melodramático, bom-vivan/ Depósito de mágoas, quem tá certo é o Saddam…”

Soul Brothers – The Movie

Quando conseguirmos a chácara, deveremos fazer um filme chamado Soul Brothers – The Movie.

Poesia Vitoriana

Vitor faz poemas
E eu gosto dos poemas do Vitor.
Embora eu não seja poeta
É esse meu poema sobre os poemas do Vitor.

Clube da Luta

Caras, a vida está pesada. Meu corpo todo quer cair sobre um lugar macio e repousar por anos a fio. Ler as milhares de páginas que se acumulam sobre minha estante. Escrever as coisas que cruzam meu corpo, sem a devida poesia que suscitam. Parece-me que comecei a trilhar um caminho que não me leva às coisas em que acredito. E isso me deixa doente. Adoecido. Doente naquele sentido de perder a potência de criação. Quando Eros vai dando lugar a Thanatos. E cada um de nossos pedacinhos vai sendo mortificado. Não quero me tornar letra morta. Não quero me tornar capital. Quero, ao contrário, ser sempre trabalho vivo. Sempre produção e nunca acúmulo. Mas são estranhos os caminhos que nos permitem adoecer.

Acabo de falar ao telefone com minha mãe. Fabulava com ela acerca de um café-bar ou, na outra ponta, uma chácara. Ao final, gostei muito mais da idéia da chácara. Onde produziríamos somente com as forças da natureza, e respeitando. Horta bio-orgânica. Vacas e galinhas criadas livremente. E até mesmo peixes, caso houvesse possibilidade disto estar alinhado com a mãe-terra. Reuniria, então, aqueles que precisam de pouco para viver: apenas o necessário para livros, discos, filmes, e outras coisas irresistíveis do mundo humano.

Trabalharíamos e comercializaríamos de modo justo. Cientes de que não estaríamos contribuindo para o fim do modo de produção capitalista. Cientes, também, de que neste lugar, todo e cada verme teria o mesmo estatuto que todo e cada homem ou mulher. E ergueríamos tudo sobre a base quadrangular: estudos, trabalho, amigos e familiares.

Só de pensar nisso, já me sinto menos doente.

I just wanted to stare


Passei uma hora na internet buscando fotos de rostos bonitos. Rostos de mulheres bonitas. Para contemplar.

Marginal Pensamento


Minha cabeça tá entupida. Tanto pensamento querendo passar ao mesmo tempo que congestionou. É tipo a Marginal Tietê. Incluindo o desconforto, a impaciência, as buzinas e tudo o mais.

Universal

Abaixo, uma contribuição involuntária de Paulo C., retirada do blog cosmo.urbe

retrato do artista quando movimento

eu sou um sujeito típico
da novíssima cultura interiorana
em meio ao espreme-gato
e a pasmaceira no fim-de-semana

vivendo em alguma província maldita
e se de um lado ela nos sufoca
por outro nos dota
de uma fome cosmopolita

somos fudidos “in-the-know”
somos freaks, carne-de-pescoço
somos suburbanos, roceiros
somos uns sem-dinheiro
somos o núcleo duro, o osso

não temos regras de conduta ou aceitação
é tudo muito natural
é tácito, quase implícito
nos pague um cigarro, café, um prato-feito
pronto: morreu-se a questão

longe de sermos simplórios
somos temporários
estamos, enquanto remamos
subindo o rio de nossa condição

nossa linguagem pulula, palpita
somos lenhados em expansão
outros ainda comerão
do que esta geração regurgita.

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