Uma grande festa acontece dentro de mim. Estão presentes todas as pessoas ausentes (ficou horrível, eu sei, mas é isto). De Pirassununga. De Rio Claro. De outros mundos que outrora conheci. Estas foram todas convidadas. Há, contudo, três penetras: Nostalgia, Melancolia e Saudade.

Foda-se.

Foda-se a poesia barata.

A interpretação é que esta semana foi povoada por essas lembranças. Lembrança de gente. Lembrança de lugares. De coisas que, como já nos lembrou João Calis, Filósofo, não poderemos mais reviver. De qualquer forma, foram datas de aniversários. Foram os e-mails do Michel e do João. Foram os escritos dos blogs. Foi uma vivência parecida com aquela da Travessia. Foram os encontros e desencontros com pessoas de Rio Claro.

Assim, depois de assistir mais uma vez Os Reis de Dogtown, e estar ouvindo pela enésima vez Cê, de Caê, tenho tentado me furtar ao momento em que estarei sentado em minha cama, com um livro sobre Hegel aberto e um copo plástico, cheio de Ballantines, e tentando encontrar os registros das gargalhadas. Cada um tem a sua.

A do Michel, corpórea. A do Vitor, controlada. A do João, rebelde. A do Max, bucaneira. A do Jundiaí, medieval. A do BH, asmática. A do Romualdo, inocente. A do Rafa, nobre. A do Abelhinha, francesa. A do Marcelagem, hilariante. A do Gustavo, imprevisível. A do Chubaquinha, além-mundo.

Teria também que representar as das garotas. Mas eu me lembro de uma regra que instituímos desde a 7ª série: não se faz comentários sobre as garotas. Naquela época, 14 anos atrás, eu não compreendia que as garotas não tem senso de humor, e que suas gargalhadas são diabólicas.

Mas, se pudéssemos encher uma Kombi com algumas dessas gargalhadas, pelo menos algumas, e pudéssemos sair pela América do Sul, e vivenciássemos a aventura radical, fundadora, tão elementar quanto a nossa própria passagem grupal por R.C., não sei, mas talvez essa festa tivesse outros penetras, menos fúnebres. Mais risonhos. Que soubessem dar A Gargalhada de Nietzsche!

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