Hoje recebi um e-mail de um grande amigo. Era um e-mail esquizo, facilmente associável a seu autor. A única linha da mensagem dizia: “ainda somos amigos.?”, exatamente dessa maneira, com um ponto final antes de uma interrogação.

Se fosse avaliar a partir da pontuação, analisaria da seguinte maneira: o ponto final indica uma afirmação, ou seja, ele tem certeza de que ainda somos amigos; a interrogação é uma pergunta para mim, ou seja, eu sou o interlocutor e ele quer saber se ainda somos amigos.

De qualquer forma, não perdi tempo e decidi colocar em prática um plano antigo: telefonar para ele. Entretanto, o dia foi muito ruim, deixando-me muito cansado. Então, liguei e fui logo dizendo que hoje não estava no meu melhor dia e, com um monte de lágrimas nos olhos, disse a ele que continuo considerando-o do mesmo jeito que antes, com aquele tipo de intimidade que se tem com poucas pessoas na vida. Disse mais coisas, que não reproduzo aqui.

É foda. A vida é difícil. E nos separa de muitas das pessoas mais queridas.

Mas eu resisto.

Tento fazer com que a distância seja menor do que realmente é. De uma maneira muito esquizofrênica – admito! Pois nenhuma ligação, nenhum e-mail, nenhuma conversa com webcam, vai me deixar REALMENTE mais perto dessas pessoas. Será sempre o Imaginário e o Simbólico contra o Real.

Queria dizer mais.

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