Meus últimos meses em Rio Claro foram tão marcantes… Talvez por terem se configurado como uma afiada navalha e não como um mar de nuvens. De qualquer forma, todas as vezes que vejo as mensagens dos manos no meu orkut, e nomeadamente falo dos manos do Reflexões, sinto que alguma coisa ficou aberta. Uma marca que não quer deixar de ser uma marca.

Foram meses de escassez (sic). Faltou grana. Faltou tempo. Faltou alegria. Faltou paz.

Ao mesmo tempo, foram meses de excesso. Sobrou desesperança. Sobrou briga. Sobrou angústia. Sobrou trabalho.

Nesse exato momento, lembro de quanto os Racionais foram importantes nesse período. Descobri seu disco “Nada como um dia após o outro” e, vivenciado a realidade daquele canto esquecido, Bonsucesso e Novo Wenzel, me sentia cada vez mais próximo da Verdade.

Lembro perfeitamente que cada um dos versos diziam respeito à minha pessoa. Fazia experimentos com o meu estado de consciência e ouvia o som dos caras. E não poderia esperar que mergulharia ainda mais profundamente no cotidiano da injustiça social, vivendo dia-a-dia com a miséria em estado bruto.

Assumir, então, que sinto uma saudade dolorosa daquele lugar. Daquele campus. Daquelas pessoas. De todo aquele meio social que era muito mais uma representação aproximada da Verdade do que qualquer outra coisa.

Hoje, por coincidência, meu irmão Michel escreveu sobre “On the road” e Rio Claro. Foi lá, Michel, que eu li pelas primeiras vezes essa obra prima niilista e esperançosa. E me perguntava como é que aqueles personagens atravessam aquele país, de um lado a outro, inventando. Inventando.

Sinto com toda intensidade que aquele momento foi o mais singular. E espero que todos vocês, meus irmãozinhos, também guardem com amor aqueles momentos de banquete, de palestras, de encontros bizarros.

Essa foi por cada um de vocês.

“é, vida loka… muito amor, muito amor!!!”

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