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Mês

Agosto 2007

A Festa

Uma grande festa acontece dentro de mim. Estão presentes todas as pessoas ausentes (ficou horrível, eu sei, mas é isto). De Pirassununga. De Rio Claro. De outros mundos que outrora conheci. Estas foram todas convidadas. Há, contudo, três penetras: Nostalgia, Melancolia e Saudade.

Foda-se.

Foda-se a poesia barata.

A interpretação é que esta semana foi povoada por essas lembranças. Lembrança de gente. Lembrança de lugares. De coisas que, como já nos lembrou João Calis, Filósofo, não poderemos mais reviver. De qualquer forma, foram datas de aniversários. Foram os e-mails do Michel e do João. Foram os escritos dos blogs. Foi uma vivência parecida com aquela da Travessia. Foram os encontros e desencontros com pessoas de Rio Claro.

Assim, depois de assistir mais uma vez Os Reis de Dogtown, e estar ouvindo pela enésima vez Cê, de Caê, tenho tentado me furtar ao momento em que estarei sentado em minha cama, com um livro sobre Hegel aberto e um copo plástico, cheio de Ballantines, e tentando encontrar os registros das gargalhadas. Cada um tem a sua.

A do Michel, corpórea. A do Vitor, controlada. A do João, rebelde. A do Max, bucaneira. A do Jundiaí, medieval. A do BH, asmática. A do Romualdo, inocente. A do Rafa, nobre. A do Abelhinha, francesa. A do Marcelagem, hilariante. A do Gustavo, imprevisível. A do Chubaquinha, além-mundo.

Teria também que representar as das garotas. Mas eu me lembro de uma regra que instituímos desde a 7ª série: não se faz comentários sobre as garotas. Naquela época, 14 anos atrás, eu não compreendia que as garotas não tem senso de humor, e que suas gargalhadas são diabólicas.

Mas, se pudéssemos encher uma Kombi com algumas dessas gargalhadas, pelo menos algumas, e pudéssemos sair pela América do Sul, e vivenciássemos a aventura radical, fundadora, tão elementar quanto a nossa própria passagem grupal por R.C., não sei, mas talvez essa festa tivesse outros penetras, menos fúnebres. Mais risonhos. Que soubessem dar A Gargalhada de Nietzsche!

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Drinho

Hoje recebi um e-mail de um grande amigo. Era um e-mail esquizo, facilmente associável a seu autor. A única linha da mensagem dizia: “ainda somos amigos.?”, exatamente dessa maneira, com um ponto final antes de uma interrogação.

Se fosse avaliar a partir da pontuação, analisaria da seguinte maneira: o ponto final indica uma afirmação, ou seja, ele tem certeza de que ainda somos amigos; a interrogação é uma pergunta para mim, ou seja, eu sou o interlocutor e ele quer saber se ainda somos amigos.

De qualquer forma, não perdi tempo e decidi colocar em prática um plano antigo: telefonar para ele. Entretanto, o dia foi muito ruim, deixando-me muito cansado. Então, liguei e fui logo dizendo que hoje não estava no meu melhor dia e, com um monte de lágrimas nos olhos, disse a ele que continuo considerando-o do mesmo jeito que antes, com aquele tipo de intimidade que se tem com poucas pessoas na vida. Disse mais coisas, que não reproduzo aqui.

É foda. A vida é difícil. E nos separa de muitas das pessoas mais queridas.

Mas eu resisto.

Tento fazer com que a distância seja menor do que realmente é. De uma maneira muito esquizofrênica – admito! Pois nenhuma ligação, nenhum e-mail, nenhuma conversa com webcam, vai me deixar REALMENTE mais perto dessas pessoas. Será sempre o Imaginário e o Simbólico contra o Real.

Queria dizer mais.

Espectros de Rio Claro

Meus últimos meses em Rio Claro foram tão marcantes… Talvez por terem se configurado como uma afiada navalha e não como um mar de nuvens. De qualquer forma, todas as vezes que vejo as mensagens dos manos no meu orkut, e nomeadamente falo dos manos do Reflexões, sinto que alguma coisa ficou aberta. Uma marca que não quer deixar de ser uma marca.

Foram meses de escassez (sic). Faltou grana. Faltou tempo. Faltou alegria. Faltou paz.

Ao mesmo tempo, foram meses de excesso. Sobrou desesperança. Sobrou briga. Sobrou angústia. Sobrou trabalho.

Nesse exato momento, lembro de quanto os Racionais foram importantes nesse período. Descobri seu disco “Nada como um dia após o outro” e, vivenciado a realidade daquele canto esquecido, Bonsucesso e Novo Wenzel, me sentia cada vez mais próximo da Verdade.

Lembro perfeitamente que cada um dos versos diziam respeito à minha pessoa. Fazia experimentos com o meu estado de consciência e ouvia o som dos caras. E não poderia esperar que mergulharia ainda mais profundamente no cotidiano da injustiça social, vivendo dia-a-dia com a miséria em estado bruto.

Assumir, então, que sinto uma saudade dolorosa daquele lugar. Daquele campus. Daquelas pessoas. De todo aquele meio social que era muito mais uma representação aproximada da Verdade do que qualquer outra coisa.

Hoje, por coincidência, meu irmão Michel escreveu sobre “On the road” e Rio Claro. Foi lá, Michel, que eu li pelas primeiras vezes essa obra prima niilista e esperançosa. E me perguntava como é que aqueles personagens atravessam aquele país, de um lado a outro, inventando. Inventando.

Sinto com toda intensidade que aquele momento foi o mais singular. E espero que todos vocês, meus irmãozinhos, também guardem com amor aqueles momentos de banquete, de palestras, de encontros bizarros.

Essa foi por cada um de vocês.

“é, vida loka… muito amor, muito amor!!!”

What the hell are you fighting for???

Ler Zizek me faz pensar em como somos franguinhos covardes, todos nós multiculturalistas pseudonietzscheanos, perspectivistas pseudodeleuzeanos.

“Com uma esquerda como essa, quem precisa de direita?”

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